Três Poemas de Rimbaud

Em 1879 Delahaide perguntou a Rimbaud: “E a literatura?” E ele respondeu: “Não penso mais nisso”. Analisando o breve diálogo revelador, o poeta Manuela Bandeira disse: “Era um homem de ação, de aventura. A poesia foi um simples momento de ação e aventura em sua vida, enquanto não se atirou à grande aventura da vida”. 

Nascido a 20 de outubro de 1854, Jean-Nicolas Arthur Rimbaud, em Charleville, nas Ardenas, ele foi realmente um homem que escapou dos moldes do poeta comportado, mesmo com verve apolínea breve. Criou pouca poesia, comparado com sua prosa. Ateu, traficante de armas, preocupado com as aventuras comerciais, enviscou-se pelos meandros da lírica revolucionário. O seu drive criador do verso livre. 

Leitor de Rabelais, Saint-Simon, Badeuf, Rousseau, Helvetius, Vitor Hugo em 1872 lançou a obra
Uma Temporada no Inferno para em 1874 produzir, na Inglaterra, os poemas em prosa, Iluminações, ambos publicados juntos agora. 

Desta forma, os três poemas em prosa aqui publicado são da obra Iluminações.

A Uma Razão 
Um toque de teu dedo no tambor desencadeia todos 
Os sons e dá início à nova harmonia. 
Um passo teu recruta os novos homens, e os põe em marcha. 
Tua cabeça avança: o novo amor! Tua cabeça recua, – o novo amor! 
“Muda nossos destinos, passa ao crivo as calamidades, a começar pelo tempo”, cantam estas crianças, diante de ti. “Semeia não importa onde a substância de nossas fortunas e desejos, pedem-te”. 
Chegada de sempre, que irás por toda parte. 

Partida
 
Visto demais. A visão foi reencontrada em todos os ares. 
Tido demais. Rumores das cidades, à noite, e ao sol, e sempre. 
Conhecido demais. As paradas da vida. – Ó Rumore e Visões! 
Partida na afeição e no ruído novos! 

Democracia 
“A bandeira trêmula na paisagem imunda, e nossa gíria abafa o tambor. 
Nos centros alimentaremos a mais cínica prostituição. Massacraremos as revoltas lógicas. 
Aos países inundados e que cheiram a pimenta! – a serviço das mais monstruosas explorações industriais ou militares. Adeus aqui, não importa onde, Recrutas da boa vontade, teremos a filosofia feroz; ignorantes para com a ciência, extenuados para o conforto; e que este mundo rebente! É a verdadeira marcha. Para a frente, a caminho!” 

Estes três poemas foram extraídos da obra de Rimbaud,
Uma Temporada no Inferno e Iluminações; publicado em 1982 pela Editora Francisco Alves que teve a tradução singular do poeta Lêdo Ivo, com direito a orelha escrita pelo poeta Manuel Bandeira.

Fonte:
https://esquizofia.wordpress.com/2015/12/05/tres-poeminhas-de-rimbaud-tocando-de-leve-nas-inquitacoes-do-amor/

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